A Teoria das Restrições (ToC) aplicada em Cloud Computing - Parte 1

A Teoria das Restrições (ToC) aplicada em Cloud Computing – Parte 1

A Teoria das Restrições (ToC – Theory of Constraints) é um paradigma de gestão que considera qualquer sistema gerenciável como sendo limitado em alcançar mais do que suas metas por um número muito pequeno de restrições. Introduzida por Eliyahu M. Goldratt em seu livro “A Meta” de 1984, a publicidade e liderança por trás dessas ideias foram exercidas principalmente pelo Dr. Goldratt através de uma série de outros livros, seminários e workshops.

A ToC foi concebida para auxiliar organizações a alcançar seus objetivos continuamente. É fundamentada em um conjunto de princípios básicos (axiomas), alguns processos simples (Perguntas Estratégicas, Etapas de Foco, Efeito-Causa-Efeito), ferramentas lógicas (o Processo de Raciocínio) e é aplicável através da dedução lógica a áreas específicas como finanças, logística, gerência de projetos, administração de pessoas, estratégia, vendas, marketing e produção.

De acordo com a TOC, toda organização tem – em um dado momento no tempo – pelo menos uma restrição que limita a performance do sistema (a organização em questão) em relação à sua meta. Essas restrições podem ser classificadas como restrições internas e restrições externas, ou de mercado. Para gerir a performance do sistema, a restrição deve ser identificada e administrada corretamente (de acordo com os Cinco Etapas de Foco, mostrados abaixo). Ao longo do tempo a restrição pode mudar (e.g., porque a restrição anterior foi solucionada com sucesso ou por mudanças no ambiente de negócios) e a análise recomeça.

Alguns observadores notam que esses métodos não são tão diferentes de outros modelos de mudança da administração como o Ciclo PDCA.

Pensando em Cloud Computing, podemos tratar Restrições, como Gargalos em nosso ambiente. Um gargalo nada mais é do que um recurso dentro do nosso ambiente (infraestrutura ou arquitetura da aplicação) cuja capacidade é menor ou igual à demanda alocada para esse recurso.

De acordo com Goldratt, o desempenho é ditado por uma série de restrições. É aqui que ocorrem os gargalos que impedem a aplicação de maximizar o seu desempenho e atingir os seus objetivos.

A Teoria das Restrições afirma que:

  • Todos os sistemas têm pelo menos um gargalo que limita o seu desempenho – este é o elo mais fraco do sistema.
  • Um sistema pode ter apenas uma restrição de cada vez.
  • As outras áreas de fraqueza são “não-restrições” até se tornarem o elo mais fraco.
Elo mais fraco

Elo mais fraco

Segundo a ToC, aplicando em Cloud Computing, toda aplicação sofre uma limitação devido a pelo menos um desses gargalos, o que os impede de atingir sua performance máxima. Esse pensamento pode ser resumido na frase Uma corrente é tão forte quanto seu elo mais fraco; isso significa que haverá sempre um item na arquitetura de sua aplicação ou infra enfraquecido, o que prejudicará o desempenho. É nosso papel como arquitetos de Cloud Computing, portanto, controlar na medida do possível os gargalos ou “elos fracos” da aplicação garantindo com isso um melhor desempenho e eficácia.

Para garantir e efetuar esse controle, a Teoria de Restrições propõem diversas práticas buscando responder às três perguntas básicas:

  1. O que mudar?
  2. Como mudar?
  3. Como motivar a mudança?

Um dos meus melhores cases onde apliquei a teoria das restrições foi o SitePX, que acabou como case de destaque no AWS Summit de 2013.  Nos próximos artigos iremos detalhar um pouco mais sobre como aplicar a ToC à Cloud Computing.