Ethereum: Um pouco de História

Ethereum: Um pouco de História

O Ethereum foi inicialmente descrito por Buterin no final de 2013 como o resultado de sua pesquisa e trabalho na comunidade Bitcoin. Pouco depois, Vitalik publicou o Ethereum white paper, no qual ele descreve em detalhes o desenho técnico e racional por trás do protocolo Ethereum, além da arquitetura dos smart contracts.

No dia 25 de janeiro de 2014, durante a North American Bitcoin Conference, realizada em Miami (EUA), Vitalik apresentou oficialmente sua ideia. Imediatamente após sua apresentação, uma grande quantidade de desenvolvedores o procurou para entender melhor sua proposta.

Em abril daquele ano, Dr. Gavin Wood, que começou a trabalhar com Buterin, publicou o Ethereum Yellow Paper que serviu como a bíblia técnica e a especificação de ­facto para a Ethereum Virtual Machine (EVM). A partir deste artigo técnico, o Ethereum passou a ter a possibilidade de ser implementado em várias linguagens de programação.

Além do desenvolvimento do software para o Ethereum, a viabilidade para lançar uma nova criptomoeda e uma blockchain requeria um esforço gigantesco de bootstrapping, uma espécie de mecanismo de inicialização de aplicações, com o objetivo de reunir os recursos necessários para colocar a plataforma de pé e em funcionamento. Para dar início a uma grande rede de desenvolvedores, mineradores, investidores e outros interessados, o Ethereum anunciou um plano para conduzir uma pré-venda das moedas ether.

As complexidades legais e financeiras que envolvem o levantamento de recursos por meio de uma pré-venda levou a criação de várias entidades legais, incluindo a Fundação Ethereum, estabelecida em junho de 2014, em Zug, na Suiça.

No início de julho, o Ethereum distribuiu a alocação inicial de ether por meio de uma pré-venda que durou 42 dias, totalizando o equivalente a 31.591 bitcoins, que à época valiam pouco mais de USD 18,4 milhões, em troca por 60.102,216 ETH.

Os resultados da venda foram inicialmente usados para pagar débitos acumulados com as questões legais e jurídicas da empreitada e também para os meses de empenho dos desenvolvedores que ainda precisavam ser compensados, além de dar sustentação ao contínuo desenvolvimento da tecnologia.

Após o sucesso da pré-venda de ether, o desenvolvimento da tecnologia foi formalizado sobre uma organização sem fins lucrativos chamada ETH DEV, que gerencia o desenvolvimento do Ethereum e tem Vitalik Buterin, Gavin Wood e Jeffrey Wilcke como os três diretores da entidade. Ao longo de 2014, o interesse dos desenvolvedores cresceu firmemente e o time da ETH DEV conseguiu entregar uma série de lançamentos de proof ­of concept (PoC) para a comunidade desenvolvedora fazer suas avaliações. Frequentes posts do time desenvolvedor no blog do Ethereum ajudaram a manter o entusiamo e ímpeto ao redor dos avanços do Ethereum. O aumento do tráfego e o crescimento da base de usuários tanto no fórum do Ethereum quando no Reddit eram provas de que a plataforma estava atraindo uma comunidade devota e rapidamente crescente de desenvolvedores. Isso tem continuado ainda nos dias de hoje.

Em novembro de 2014, o ETH DEV organizou o evento DEVcon­, que reuniu desenvolvedores Ethereum de todo o mundo na cidade alemã de Berlim para discutir uma série de questões envolvendo a tecnologia. Várias apresentações e sessões da conferência serviram mais tarde para orientar importante iniciativas que tornaram o Ethereum mais confiável, seguro e escalável.

Em abril de 2015, o programa DEVgrants foi anunciado, que consistiu em um programa que oferecia recursos para contribuições tanto para a plataforma quanto para projetos baseados no Ethereum. Centenas de desenvolvedores já estavam dedicando seu tempo e intelecto para os projetos. O programa continua ainda aberto a todo e em janeiro de 2016 foi renovado oferecendo mais recursos aos participantes.

Ao longo de 2014 e 2015 o desenvolvimento da plataforma passou por uma série de lançamentos de PoCs que culminaram no teste de rede do 9º PoC, chamado Olympic. A comunidade desenvolvedora foi convidada a testar os limites da rede e um prêmio substancial em recursos foi alocado para aqueles que conseguissem ter sucesso em quebrar o sistema de algum jeito. Um mês depois do teste, as recompensas foram anunciadas oficialmente depois do lançamento oficial do Ethereum.

No começo de 2015, outro programa de recompensas foi lançado oferecendo bitcoins para aqueles que encontrassem vulnerabilidade em qualquer parte do software do Ethereum. Isso sem dúvida contribuiu para a confiabilidade e segurança do Ethereum e a própria confiança da comunidade na plataforma. O programa ainda continua ativa e não há data planejada para seu fim.

A auditoria de segurança do Ethereum começou no final de 2014 e continuou ao longo do primeiro semestre de 2015. Múltiplas firmas terceiras de segurança de software foram envolvidas para conduzir um processo final de auditoria nos componentes críticos do protocolo. Os relatórios de auditoria descobriram problemas de segurança que foram resolvidos e testados novamente e resultaram, em última instância, em uma plataforma mais segura.

A rede do Ethereum Frontier foi lançada oficialmente no dia 30 de julho de 2015 e os desenvolvedores começaram a escrever smart contracts e aplicativos descentralizados, conhecidos como Dapps, para rodarem em tempo real na rede Ethereum. Ao mesmo tempo, mineradores começaram a se juntar à rede Ethereum para manter a segurança da blockchain da plataforma e passaram a ganhar ether para minerar os blocos, algo muito similar ao que acontece com o bitcoin.

Apesar de que o lançamento do Frontier tenha sido o primeiro marco do projeto Ethereum e foi inicialmente pensado como uma versão beta por seus desenvolvedores, ele acabou se mostrando no final das contas muito mais capaz e confiável do que se esperava e houve uma verdadeira corrida de desenvolvedores que passaram a construir soluções e a melhor o ecossistema do Ethereum.

A segunda conferência de desenvolvedores DEVCON ocorreu na cidade inglesa de Londres no início de novembro do ano passado. O evento, que durou cinco dias, reuniu mais de 100 apresentações e painéis de discussões, atraindo mais de 400 participantes, compostos por desenvolvedores, empreendedores, pensadores e executivos de negócios.

A presença de grandes corporações, como UBS, IBM e Microsoft, claramente indicam o interesse pela tecnologia. Inclusive, a Microsoft anunciou que iria oferecer o Ethereum em sua nova blockchain como uma oferta de serviço na plataforma de computação na nuvem Microsoft Azure.

Outro grande marco para tecnologia ocorreu no dia 14 de março, quando o Ethereum deixou sua versão beta Frontier e passou a rodar a robusta versão conhecida por Homestead, que inclui uma série de melhorias no protocolo.